Durante anos, a lógica dominante foi bastante clara: o software organizava o trabalho, mas o trabalho continuava majoritariamente com as pessoas. Foi a grande era do Software as a Service: plataformas na nuvem, assinaturas recorrentes, escala por usuário e muito ganho de eficiência.

A mudança é menos semântica do que parece. No SaaS, comprava-se acesso ao sistema. No paradigma que agora ganha força, compra-se cada vez mais a entrega: análise concluída, atendimento resolvido, processo executado, decisão suportada. O software não fica apenas no papel de organizar a fila, registrar etapas e exibir dashboards. Ele começa a assumir o balcão, que é onde a vida real acontece.
O ponto interessante é que isso não representa apenas uma nova categoria de produto. Representa uma mudança na unidade de valor. Em vez de pensar só em licenças, acessos ou módulos, passa a fazer sentido pensar em produtividade, resolução e trabalho entregue. No fim do dia, quase ninguém quer apenas mais um sistema. O que as empresas querem é que algo relevante fique pronto.
Essa discussão conversa muito bem com a trajetória da Murabei. Nossa atuação sempre esteve menos ligada à ideia de software genérico e mais à construção de capacidade analítica para problemas concretos de decisão. Por isso, a passagem de Software as a Service para Service as a Software encaixa de forma natural no que estamos construindo: sistemas que não apenas mostram informação, mas ajudam a prever, recomendar, priorizar e operar com mais inteligência.
Talvez essa seja a melhor forma de resumir a mudança. O SaaS foi decisivo para digitalizar processos. O próximo passo parece ser usar IA para operacionalizar partes cada vez maiores do próprio trabalho. E, para a Murabei, isso soa menos como ruptura e mais como evolução natural.
Referências:
Sequoia Capital, Generative AI’s Act o1: The Reasoning Era Begins (2024)
Sequoia Capital, Services: The New Software (2026).
