“A verdade está no mundo à nossa volta” – ARISTÓTELES

Aristóteles (384-322 A.C) formou com Platão (427-347 A.C.) uma das duplas aluno-professor mais proeminente da filosofia e da história humana. Por um lado, Platão – o professor – confirmava que deve haver um mundo de ideias ou formas totalmente separado do mundo material. Ao propor que o uso da razão é o único caminho para adquirir conhecimento, Platão lançou os alicerces para o racionalismo.

Mas o que Aristóteles propôs mudou totalmente a teoria de Platão. Sem desconfiar dos nossos sentidos, Aristóteles contava com eles na busca da evidência para apoiar suas teorias. Ao estudar o mundo natural ele aprendeu que, ao observar as características de cada exemplo de planta ou animal específico, podia construir um retrato completo sobre o que o distinguia de outras plantas ou animais. Tais estudos confirmaram o que Aristóteles já acreditava: não nascemos com a capacidade inata para reconhecer formas como defendia Platão.

Um ícone que representa a diferença de pensamento destes dois filósofos é o esplendoroso afresco de Rafael Sanzio, “Escola de Atenas. Platão está apontando para cima, o que representaria o mundo das ideias. Para este filosofo, o mundo real e o mundo racional é o mundo das ideias, que está acima dos homens. Aristóteles gesticula para baixo, mostrando com a mão que a verdade do mundo deve ser encontrada na Terra.

“A verdade está no mundo à nossa volta” - ARISTÓTELES
Platão e Aristóteles – Fragmento da Escola de Atenas (1509-1510), fresco de Rafael Sanzio, na Stanza della Segnatura, nos Museus Vaticanos

Para demonstrar suas teorias, Aristóteles começou a colecionar espécimes de fauna e flora e as classificou de acordo com suas características. A partir dessa classificação biológica montou um sistema hierárquico tão bem construído que forma até hoje a base da taxonomia. Alguns termos que ele deu para os animais, como os invertebrados e vertebrados ainda são comumente usados.

Primeiro, ele dividiu o mundo natural em coisas vivas e não vivas. Então, classificou o mundo vivo entre plantas e animais, e para conseguir fazer essa distinção Aristóteles sugeriu analisar as características compartilhadas. Todas as plantas compartilham a forma “planta” e todos os animais compartilham a forma “animal”. Uma vez que entendemos a natureza dessas formas, conseguimos reconhecê-las em todo e qualquer espécime. Esse fato se torna mais visível quanto mais Aristóteles subdivide o mundo natural, aumentando cada vez mais as características.

Este raciocínio pode ser considerado como o primeiro pseudocódigo de um algoritmo de classificação de machine learning!. No processo de classificação Aristóteles formulou uma forma sistemática de lógica que pode ser aplicada de maneira genérica. Por exemplo, uma categoria comum a todos os répteis é o sangue frio. Então se um espécime particular tem sangue quente, não pode ser um réptil. Essa forma de raciocínio – o silogismo – foi o primeiro sistema formal de lógica concebido e permaneceu como modelo básico para a lógica até o século XIX.

Mas Aristóteles foi além, -e aí radica sua grandeza- ele compreendeu que o poder da razão era algo que não se baseava nos sentidos e que deveria, portanto ser uma característica inata – parte daquilo que é um ser humano. Embora não tenhamos ideias inatas, possuímos essa capacidade interna, necessária para aprender a partir da experiência. 

E é baseado nessa capacidade dos seres humanos em aprender que existem profissões como a de Cientistas de Dados. A importância de Aristóteles é tão grande que perfeitamente poderíamos nos chamar como “Aristotelistas de Dados” ■

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