“O número é o regente das formas e ideias” – PITÁGORAS

Pouco se conhece sobre a vida de Pitágoras (c.570-495 A.C). Quando jovem viajou bastante, tendo talvez estudado na célebre Escola de Mileto. Na faixa dos quarenta anos, estabeleceu uma comunidade de cerca de trezentas pessoas. Seus membros eram iniciados em uma mistura de estudos místicos e acadêmicos. Uma hostilidade crescente contra o culto pitagórico o forçou a fugir. Sua comunidade tinha virtualmente desaparecido no final do século IV a.C.

Pitágoras descobriu o princípio fundamental de todos os triângulos com ângulo reto – que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos dois catetos – e verificou que isso era universalmente verdadeiro. Tal descoberta foi tão extraordinária, e tinha tanto potencial aplicativo, que os pitagóricos consideravam uma verdadeira revelação divina.

Pitágoras concluiu que todo o cosmos deveria ser governado por regras matemáticas. Ele dizia que o número poderia ser usado para explicar a estrutura do cosmos. Essa foi uma mudança profunda no modo de ver o mundo – o que nos leva a perdoar Pitágoras e seus discípulos por ficarem tão extasiados e darem aos números um significado místico.

Nos dias de hoje este conceito de Pitágoras extrapolou para os algoritmos, que estão se convertendo nos verdadeiros regentes de todos os processos de decisão das empresas e da vida em geral. De fato, milhares de algoritmos rodam em aplicações em empresas, residências, automóveis, telefones celulares e até dentro dos próprios corpos humanos. Os algoritmos otimizam processos de produção, financeiros, de marketing, distribuição, intervindo na forma de como nos vestimos, cuidamos da nossa saúde, lemos notícias, assistimos filmes, votamos em políticos, comemos, enfim em tudo!

Este aspecto, sem dúvida positivo, leva que referenciemos os algoritmos como sendo “mágicos”, semelhante aos antigos cultos pitagóricos. Mas esta visão mística que colocamos nos algoritmos muitas vezes é reflexo do nosso desconhecimento – não de como eles funcionam, mas sim de como interpretarmos seus resultados e decisões automáticas. Esta falta de controle sobre essa “magia” já começa a ser discutida por questões éticas, discriminatórias e até filosóficas como no exemplo já clássico da decisão do carro autônomo no caso de rota de colisão com um pedestre – a quem salvar ao condutor ou ao pedestre?

Os Cientistas de Dados serão em grande parte os responsáveis por garantir essa regência ampla dos algoritmos, mas uma regência não mística. Os algoritmos não são e não devem ser mágicos.■

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